| Apresentação e objetivo geral |
| Objetivo geral da Igreja no Brasil |
| Organização da pastoral Diocesana |
| Setores pastorais da Diocese |
| Linha 1 |
| Dimensão comunitária e participativa |
| Linha 2 |
| Dimensão missionária |
| Linha 3 |
| Dimensão bíblico-catequética |
| Linha 4 |
| Dimensão litúrgica |
| Linha 5 |
| Dimensão ecumênica e diálogo inter – religioso |
| Linha 6 |
| Dimensão sócio-transformadora |
Em suas primeiras páginas, encontramos a expressão “duc in altum”, fazer-se ao largo, que constitui um apelo para que retomemos a missão evangelizadora com renovado ardor. De fato, “Pedro e os primeiros companheiros confiaram na Palavra de Cristo e lançaram as redes”. Diz o Evangelho: “Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixes” (Lc 5,6).
Este apelo continua a soar em nossos dias. É necessário estar sempre atento ao que o “Espírito disse à Igreja, vivendo o Jubileu não só como uma lembrança do passado, mas também como profecia do futuro” (n.3). Por isso, “cada Igreja local é convidada a traduzir o tesouro da graça recebida, traduzindo-a em ardentes propósitos e diretrizes concretas de ação” (n.3). Ela estará assim correspondendo ao “movimento mesmo do mistério da Encarnação” (n.3).
Em seu primeiro capítulo, com o título: “O encontro com Cristo, legado do grande Jubileu”, o Papa volta a proclamar que o Senhor continua vivo, ele é sempre o HOJE da salvação, “caminho de reconciliação e sinal de genuína esperança para todos os que levantam seu olhar para Ele e para a sua Igreja” (n.4). De fato, “o cristianismo é religião estranha na história” (n.5). não se pode, portanto, jamais deixar de lado o núcleo essencial deste legado: “a contemplação do rosto de Cristo” (n.15). Belíssimos são os testemunhos de fé presentes ao longo da história da Igreja, como também ao longo do século XXI, denominadas, pelo Papa, como “memórias preciosas”, “herança que não se deve perder, mas fazer frutificar” (n.7).
Nesta peregrinação, somos convidados a olhar para frente, lembrando-nos dos jovens, com quem o Santo Padre pode “estabelecer uma espécie de diálogo privilegiado, ditado por uma recíproca simpatia e uma sintonia profunda” (n.9). “Os jovens, acentua ele, revelaram-se uma vez mais, para Roma e para a Igreja, um dom especial do Espírito de Deus”. A seguir, ele recorda as crianças, os trabalhadores, as famílias, apontando o jubileu das Famílias ao mundo como primavera da família e da sociedade”. São recordados os presos, o mundo do espetáculo, como também o congresso invadidos “por um dinamismo novo que nos leva a investir em iniciativas concretas” e numa “eficaz programação pastoral”.
Não se deve, porém, esquecer de que este dinamismo só existirá e só será eficaz se houver um verdadeiro encontro com Cristo e se estiver enraizado “na contemplação e na oração” (n.15). Para tanto, alerta o Papa que corremos o risco de “fazer por fazer”, daí a urgência de “procurar o ser acima do fazer” (n.15).
“Um rosto a contemplar” é o titulo do segundo capítulo que aprofunda e leva adiante a recomendação das palavras ditas no final do capítulo anterior. O Santo Padre afirma que nosso testemunho exige que sejamos “primeiro contemplativos do seu rosto” (n.16), pois, como dirá um pouco adiante, “só a fé pode penetrar plenamente no mistério daquele rosto” (n. 19). Coloquemo-nos em oração, porque, para chegarmos a esta contemplação, temos necessidade “de uma graça de revelação que vem do Pai” (n.20). Ela só é alcançada pela “experiência do silêncio e da oração (n.20).
Este rosto “assumiu todas as dimensões do ser humano, exceto o pecado” (n.22), permitindo-nos contemplar nele o “rosto de Filho de Deus: o Pai está em mim e eu nEle” (n.24); “o rosto doloroso: o rosto do pecado, o aspecto mais paradoxal do seu mistério” (n.25), que se reflete particularmente no mistério de sua Paixão. E, finalmente, somos assim conduzidos a contemplar seu rosto de Ressuscitado, pois a “contemplação da Igreja do rosto de Cristo não pode deter-se na imagem do Crucificado. Ele é o Ressuscitado!” “Agora é para Cristo ressuscitado que a Igreja olha, seguindo os passos de Pedro”, proclamando: “Tu sabes que eu te amo” (Jo 21, 15-17). “Confortada por esta experiência revigoradora, a Igreja retorna o seu caminho para anunciar Cristo ao mundo no inicio do terceiro milênio. Ele “é o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8) (n.28).
Assumimos, assim, urna missão que no terceiro capítulo tem como referência essencial o próprio Cristo: “Partir do Cristo”. Ele estará conosco até o fim do mundo e é Ele a porta para o mistério da Trindade e fonte de transformação da história (n.29). Precisamos traduzir esta nossa missão em atos concretos e “orientações pastorais ajustadas às condições de cada comunidade” (n.29). O fundamento de toda esta nossa ação é sempre a santidade. Dai a importância de “uma pedagogia da santidade” (n.31), destacando-se “a oração”, condição de toda a vida pastoral autentica”(n.32), transformando nossas comunidades em “autenticas escolas de oração” (n.33).
Se a oração abre o coração para Deus e para o amor aos irmãos (n.33), deve-se dar urna atenção central á “Eucaristia dominical e ao próprio domingo” (n.35). Que a Eucaristia seja o coração do domingo e o antídoto contra todo isolamento (n.37), e o Sacramento da Reconciliação seja apresentado no interior do “mistério de piedade”, “no qual Deus mostra o seu coração compassivo e nos reconcilia plenamente com Ele” (n.37).
Finalmente, vivendo a paixão pelo Evangelho, “numa renovada escuta da Palavra de Deus” (n.39), surge uma “nova missionariedade que deverá corresponsabilizar todos os membros do Povo de Deus” (n.40).
Fomos, assim, conduzidos ao último capitulo: “Testemunhas do amor”. É o amor a força a nos impulsionar nesta missão, no campo da comunhão, “que encarna e manifesta a própria essência do mistério da Igreja” (n.42). Graças ao amor, a “Igreja toma-se casa e escola de comunhão: eis o grande desafio” (n.43) e toda uma "espiritualidade de comunhão” (n,43) nasce em nós. Sem isto, as expressões externas de comunhão tornam-se inúteis. Guiados pelo Espírito do amor, teremos “uma vasta e capilar pastoral das vocações (n.46) e melhor será reconhecida “a vocação própria dos fiéis leigos” (n.46). A Pastoral da Família será incentivada e o empenho ecumênico será urna grande realidade (n.48).
Esta força do amor na comunhão se irradiará, “partindo de dentro da Igreja para abarcar um compromisso ativo e concreto em favor de cada ser humano” (n.49). Ela irá então caracterizar “a vida cristã, o estilo eclesial e a programação pastoral” (n.49).
O Papa solenemente proclama que é “hora de uma ‘inventionis caritatis', uma nova iniciativa da caridade” (n.50). A caridade fará com que os pobres, na Igreja, se sintam “em sua casa" (n.50) e a “caridade das obras irá garantir uma força inequívoca á caridade das palavras” (n.50).
Se há desafios, como a “perspectiva de um desequilíbrio ecológico, problemas da paz, ofensa dos direitos humanos fundamentais, desrespeito á vida do ser humano ou mesmo as novas potencialidades da ciência, a caridade não deixará jamais de ser ‘serviço à cultura, à política, à economia, à família'” (n.51). Mas tudo isto dentro de “um estilo especificamente cristão” sem “reduzir as comunidades cristãs em agências sociais” (n.52). Para este testemunho, “é imprescindível seguir o ‘ensinamento social da Igreja’”.
Terminamos com o apelo: “Duc in altum”, pois realmente “no início deste novo século, o nosso passo tem de se fazer mais rápido para de novo percorrer as estradas do mundo” (n.58).
Dom Fernando António Figueiredo
Bispo de Santo Amaro

